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Sobre entender que os limites do corpo são os limites da mente

Como foi para alguém sem preparo físico subir a Blue Mountain

Nosso guia, escoltado por seus cães, a caminho da Blue Mountain | Foto: Ana Carla Soler
Nosso guia, escoltado por seus cães, a caminho da Blue Mountain | Foto: Ana Carla Soler

Esse texto é sobre entendermos diferentes pontos de vista sobre a mesma fenomenal experiência: subir a Blue Mountain. Como o Rapha já contou em um post anterior, a decisão em grupo de subirmos o pico mais alto da Jamaica me deixou sem opções. Imaginei que seria desafiador, uma vez que na época não tinha muito preparo físico, mas chegar no alojamento e descobrir que subiríamos de madrugada me deixou bastante apreensiva.

As condições não eram favoráveis para mim, eu não tinha lanterna, estava compartilhando a luz com os amigos, entretanto, sempre fui do tipo de pessoa que quando se compromete a fazer algo não aceita meio percurso como resposta (conta também que se eu desistisse ia estragar toda a trilha da galera… rs).

De madrugada, quando subimos, não tinha como ver muita coisa, então o objetivo ali era trabalhar corpo e mente. Entre subidas íngremes e espaços estreitos não acontece muita interação, estão todos concentrados demais para trocar muita ideia sobre a vida. Logo que eu entendi o quanto exigiria do meu corpo, colei no guia. A ideia mais inteligente até ali. Puxei alguns assuntos, ele foi muito receptivo, compartilhou a lanterna comigo e me deu um suporte para me sentir mais segura.

Naquele momento entendi a proposta da experiência, já estava na metade do caminho e já tinha passado os primeiros quilômetros de subida íngreme. Meu corpo já tinha dado conta, todo o resto era com a minha mente. A gente pensa um montão quando está realizando algo que não imaginou ser capaz. É difícil, é. É impossível, não. Até mesmo para quem não se considera uma exímia esportista. Ainda não conseguimos chegar a uma conclusão de quantos quilômetros foram de subida e descida, fazendo uma média das opiniões estamos em 11km por trajeto.

Quando você está quase chegando ao topo, o dia começa a clarear e você começa a entender porque raios tínhamos decidido fazer aquilo. O verde fica muito mais verde, a paisagem, quase intocada, te deixa sensível para perceber a natureza ao seu redor.

Chegar é mágico. A vista é linda. Você sente que seu corpo quase vibra com tanta energia que tem no lugar. A sensação de dever cumprido te enche de orgulho e as relações entre as pessoas ficam muito mais bonitas. Chegar juntos é muito mais legal do que chegar sozinho.

Se você for para a Jamaica, não perca essa oportunidade. Peça para a Plot o guia que nos levou, fez toda a diferença para mim estar perto de uma família tão energizada quanto a do Jay-B, que era o pai do nosso guia e dono da instalação onde dormimos a noite. Voltar dessa caminhada, sentar na mesa e tomar o legítimo café jamaicano ouvindo as histórias de quem acredita em respeito e amor ao próximo como lema de vida é, no mínimo, enriquecedor como ser humano.

Voltei da Jamaica com uma visão de mundo diferente, entendendo o espaço de cada ser na humanidade, me sentindo pequena perto de tanta coisa que tinha visto. A Blue Mountain e a família do Jay-B foram parte substancial das reflexões que me levaram até esse estado de consciência. Acho que não preciso nem responder se valeu a pena, né?

 

PS.: Tome nota. Se for subir a Blue Mountain, leve um tênis apropriado para escalada, uma lanterna e um casaco quente (quente mesmo) para quando chegar ao cume.

 

Quer ler um outro ponto de vista sobre essa mesma história? Clique aqui.

Plot Viagens
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