ping-pong-show

Que relação você imagina que existe entre ping-pong e Bangkok?

Os Ping Pong Shows são, de alguma forma, quase que um patrimônio cultural bangkokiano. A não ser que você faça uma passagem extremamente relâmpago pela cidade, ou que fique em áreas unicamente residenciais, é praticamente impossível sair de lá sem pelo menos ouvir falar sobre esse ás do entretenimento local (que, já adianto, não será descrito neste artigo por razões de puritanismo mesmo. Google it).

Mas, contrariando todas as expectativas e graças à ausência de pesquisas sobre a cidade conforme explicado em post anterior, eu demorei alguns dias para ser conscientemente impactada pelo tema. Até ali ele tinha passado meio batido, sem marcar um território na minha mente.

Foi então que, um dia, o Rapha me explicou o que eram os tals dos Ping Pong Shows, como aquilo era esquisito, bizarro e enfim, e que uma amiga tinha recomendado muito que a gente passasse por isso. Minha reação inicial foi mazzomeno isso:

Que nojo

Deus me livre

Que bizarro

Que gente sem noção

Que dó

Isso não é coisa para mim, uma moça tão bem criada e educada, mamãe-passou-açúcar-em-mim

Jamais

Não vamos nem a pau!

Mas, daí pra frente, sabe aquela história de que quando você decide comprar um carro ele começa a proliferar nas ruas? Então, foi assim com o meu aknowledgement do Ping Pong. De repente todo dia alguém oferecia, alguém comentava, enfim. Algum Ping Pong surgia. E então eu comecei a ficar curiosa. Afinal de contas… como, meu Deus, como isso é possível??

Dei uma pesquisada e li alguns relatos de moças bem criadas e educadas, mamãe-passou-açúcar-em-mim, que tinham ido e não tinham morrido. Passei a digerir melhor o tema e, um pouco depois, concluí que tínhamos que ver isso de perto, afinal, meu Deus, como isso é possível??

Escolhemos um dia em que encontraríamos uns amigos para tomar uma cerveja na Khao San, pois com uma turma seria menos estranho – além de que, para entrar no Ping Pong, é preciso negociar com mãos de ferro, ou eles tiram todos os centavos possíveis de você, e é mais fácil negociar em turma do que em dupla.

Já entrando na Khao San fomos abordados por um senhor que queria nos cobrar uma fortuna para entrar no Ping Pong – coisa de 600 Baht, quando o justo (lido na internet, claro) era pagar apenas 200 – com cerveja inclusa. Tentamos negociar um pouco mas não alcançamos resultados relevantes, e então desistimos desse senhor e fomos tomar nossa cerveja e jantar um Padthai na rua.

Conversa vai, conversa vem, acabamos nos informando melhor sobre o Ping Pong: a melhor estratégia seria pegar um táxi (with meter!) e ir direto à Patpong Market, onde estão os Ping Pongs, e negociar a entrada lá mesmo. De Khao San o risco é grande de não ter uma negociação legal. Então, lá fomos nós.

Sair da Khao San e pegar um táxi com taxímetro é possível (fizemos isso todas as noites em que fomos lá), mas é um desafio e tanto. Demoramos uns minutos para conseguir nosso táxi honesto e, por pura inocência, começamos a conversar com o taxista sobre os Ping Pong shows, pedindo recomendação e conferindo se estávamos indo para o lugar certo. Eis que ele vê uma oportunidade de ouro e nos larga perto de Patpong, mas não em Patpong, numa viela cheia de locais. Um amigo dele abre a porta e nos fala “Ping Pong show, 500 Baht”. Ah, falou. Fizemos tudo certinho e, ainda assim, quiseram passar a perna na gente! Percebendo que tava tudo estranho e errado ali, saímos da viela e fomos pra avenida, onde abri o celular e conseguimos identificar que o tal do Patpong tava ainda a uns 5 mins à pé. Taxista safado!

Chegando na rua certa, não foi difícil: fomos rapidamente abordados por um homem que ofereceu o show a uns 400 Baht com cerveja, e na negociação conseguimos fechar em 200 Baht por pessoa. É comum por aqui o primeiro preço ser alto e precisarem ser negociados se você quiser pagar o justo. É tipo um esporte local e, depois de muito tempo aqui, você apenas aprende a escolher as suas batalhas – porque negociar o tempo inteiro dá muito trabalho.

Ele nos levou ao lugar, o brilhante SuperPussy:

Onde presenciamos o Ping Pong Show | Foto: Manu Pontual
Onde presenciamos o Ping Pong Show | Foto: Manu Pontual

Quando entramos uma senhora nos atendeu, pegou nosso dinheiro e não quis nos dar nossa cerveja. Discutimos com ela até conseguir, sentamos nas nossas mesas e nos preparamos para o show – não sem uma ameaça, depois da discussão, de que poderíamos ficar apenas 10 minutos.

O show. Como explicar? É uma das sensações mais estranhas que já senti. É triste, nojento e curioso. Desagradável, de certa forma. As dançarinas (vamos chamá-las assim) são de todos os tipos, tamanhos e desenvolturas. Nenhuma sabe dançar – tipo, nem um pouco -, então a introdução é sempre meio esquisita, pois elas – mesmo não sabendo dançar – dão uma dançadinha, então tiram a calcinha, amarram em uma das pernas e iniciam a performance.

A performance chega até a ser admirável. Como, meu Deus, como isso é possível?? Saí de lá sem essa resposta. O Ping Pong Show, na verdade, vai muito além do ping pong: tem também arremesso de banana, de dardo, o número em que elas tiram o lenço infinito da “cartola”, abrem cerveja e muitos outros.

Ficamos uns 20 minutos lá dentro, o suficiente para ver tudo. Foi bem estranho, sim, mas também foi engraçado. Não sei se eu exatamente recomendaria a experiência, mas se você for a Bangkok e tiver a curiosidade, vai fundo. Apenas lembre-se das dicas, vá bem informado e não se deixe enganar pelas pernas que vão tentar te passar.

Manu Pontual
Aquariana de corpo e alma, Manu é apaixonada por viagens. Fundou a Plot junto com o Rapha, e agora vive viajando - seja de verdade, fazendo roteiros para os nossos clientes, ou sonhando com os próximos destinos.

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