Você com certeza já ouviu falar de Khao Lak

Chegamos a Khao Lak quase que por acidente, pois estávamos de saída de Phuket e queríamos ficar hospedados em alguma praia na província de Phang Nga para planejar os próximos passos e decidir se faríamos alguns dos incríveis passeios da região – o Khao Sok National Park, ilhas Similan e Phang Nga Bay são algumas das ofertas desse pedacinho de terra. Khao Lak nos pareceu uma boa opção, com praias bonitas e fácil acesso.

Quando desembarcamos do ônibus, porém, uma surpresa: Khao Lak parecia uma filial do ocidente. A maior parte das coisas escritas no comércio era em inglês, as construções tinham um estilo bem ocidental, a vila atravessada por uma avenida grande, com postes de iluminação, farol (mais de um!), faixa de pedestres, mais carros do que motos e – pasmamos! – calçadas. Um pouco diferente do que a gente tem visto por aqui na Tailândia.

Apesar de estranhar isso tudo, me senti confortável – além, claro, de ser uma formação com a qual eu estava mais acostumada, por ser ocidental, tínhamos chegado a uma vila pequena e não fomos abordados por quase ninguém no caminho para o hostel. O ar era de calmaria e tranquilidade. Super bem-vindos depois de 3 semanas na inundação de informações que é estar por aqui.

Ao passear pelas ruas, depois de nos instalarmos, mais uma conclusão que nos foi estranha: a vila tem inúmeros restaurantes, pouquíssimos bares e muita, muita família gringa com crianças gringas. Algo também pouco visto por aqui. Apesar de não ser muito o nosso estilo, nos sentimos realmente confortáveis por estar em um lugar tranquilo.

Ao chegar na praia, pudemos presenciar um espetáculo em forma de pôr-do-sol, no meio do qual eu tentava entender: onde viemos parar? Porque tanta família, tanta criança, tanto asfalto, tanta calmaria? Como o turismo veio parar aqui de forma tão organizada, tão estruturada, tão… não tailandesa?

E foi só à noite, munidos de informações suficientes, que pudemos entender: Khao Lak foi a vila mais devastada da Tailândia no Tsunami de 2004. Se você viu reportagens, vídeos e fotos do desastre, provavelmente você já viu Khao Lak. Foi aqui, também, onde o filme O Impossível foi filmado. E porque isso explica tudo o que vimos?

Porque ficou quase que totalmente no chão. Entre turistas e locais, pelo menos 5 mil pessoas faleceram. A economia local desabou e, sem ajuda externa, não havia meios para que se restabelecesse – foi aí que entrou o turismo. Com a ajuda da comunidade, de ONGs, do governo e de investimento externo, a vila começou a se reerguer com base no turismo de luxo apoiado em resorts, restaurantes de culinária fina e tours para as ilhas ao redor. Mas de forma organizada, com regras como: nenhuma construção pode ser mais alta do que uma palmeira. Foi um trabalho incrível e pudemos ver, de fato, uma cidade economicamente ativa pouco tempo depois do desastre (o Tsunami completou 10 anos no último 26 de dezembro).

Para nós, com uma verba super apertada, a presença de todo esse luxo nem incomodou: ele fica quase que todo restrito aos resorts, que ficam em geral bem escondidos à beira-mar. Na avenida interna ficam os restaurantes mais simples, algumas barraquinhas com comida de rua, lojinhas de artesanato e mercadinhos. A vila tem algumas praias, uma pertinho da outra, que dá pra conhecer caminhando pela areia – que, por sua vez, fica bem vazia, já que os turistas em geral estão curtindo algum passeio ou a exclusividade de onde estão hospedados. As praias realmente são bem bonitas e o pôr do sol no mar é um espetáculo à parte.

Manu Pontual
Aquariana de corpo e alma, Manu é apaixonada por viagens. Fundou a Plot junto com o Rapha, e agora vive viajando - seja de verdade, fazendo roteiros para os nossos clientes, ou sonhando com os próximos destinos.

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