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Filipinas: nem bem chegamos, já gostamos de você

Não é que as Filipinas estavam nos nossos planos da nossa viagem: era um dos destinos que mais queríamos conhecer. Se você já viu fotos do país, provavelmente entende por quê. Se não, recomendo e resumo o motivo em uma única palavra. Paraíso. Existem muitos lugares no mundo em que a natureza dedicou um tempinho extra no acabamento, mas certamente as Filipinas são um dos que merecem mais destaque – e, se possível, a visita.

Até pouco tempo antes de chegar nas Filipinas, não sabíamos quando iríamos. O plano sempre foi encaixar na sequência da Indonésia, lá pra outubro, que é quando as chuvas já são mais amenas. Além disso, estávamos com dificuldades no deslocamento. Primeiro cogitamos ir de barco, ainda que demorasse, mas nossas pesquisas mostraram que é mais longe do que parece, bem pouco comum e a rota é famosa por ataques de piratas. Melhor não arriscar. Precisávamos voar, mas aí descobrimos que os preços das passagens não são exatamente convidativos.

Pensamos em deixar para o começo do ano, pois constatamos que saem mais voos da Tailândia para as Filipinas, portanto os valores são mais amigáveis. Mas aí pegaríamos a alta temporada e talvez gastaríamos com as outras coisas o que economizamos na passagem. Será que valeria a pena? Não sabíamos. Mas enquanto pensávamos, nosso roteiro mudou, para podermos conciliar nossas datas com a de amigos que estariam na Indonésia e nos vimos com um “buraco” no roteiro. Tínhamos que sair da Indonésia no dia 1º de agosto, quando vencia nosso visto, e voltar no meio de setembro, para encontrar mais pessoas. Íamos para a parte insular da Malásia e não podíamos (por conta do visto de no máximo 30 dias), nem queríamos ficar 45 dias por lá. Foi quando achamos um preço bom para voar de Kota Kinabalu, onde estaríamos, para Manila, a capital filipina. Teríamos que encarar uma época chuvosa, com possibilidade de tufões e tudo mais. Decidimos arriscar mesmo assim e compramos.

PASSAGEM DE IDA: OK. MAS E A DE SAÍDA?

Quando chegamos em Kota Kinabalu, no dia 1/8, tínhamos nossa passagem para Manila, nas Filipinas, marcada para o dia 23/8, mas ainda não tínhamos a volta. Nosso plano era ficar pouco menos de um mês, já que combinamos o encontro com nossos amigos em Lombok, na Indonésia no dia 19/9. Mas como não sabíamos o que esperar do clima, das chuvas e dos tufões, estávamos inseguros.

Normalmente, sempre que chegamos a um país, já temos a passagem para sair. Esse é o recomendado, inclusive, para não ter problemas com a imigração na entrada. Mas queríamos abrir uma exceção nesse caso, pois se estivesse chovendo a ponto de não conseguirmos aproveitar, talvez fizesse sentido ir embora mais cedo. Pra piorar a situação, deu tudo errado com a nossa estadia na Malásia, que deveria ser de 22 dias, e decidimos encurtá-la para apenas oito. Antecipamos nossa chegada nas Filipinas para o dia 9/8. O que fazer? Comprar a saída para dali a um mês? Ficar até o dia 19/9 mesmo? Será que podíamos entrar sem ter essa passagem e decidir no meio do caminho?

Resolvemos checar as regras de imigração nas Filipinas, para ver se isso ajudava a clarear as ideias. Acessamos o site da Embaixada Brasileiro em Manila e eles diziam que há um acordo bilateral entre os dois países, que permite entrada sem solicitação de visto prévia, para uma estadia de até 60 dias, apresentando apenas um passaporte válido por seis meses e certificado de vacina de febre amarela. Temos as duas coisas, então decidimos chegar, em caráter de exceção, sem a passagem de volta, para ver como as coisas andavam e aí decidir por quanto tempo ficaríamos.

Aprendizado: não confie apenas nas informações fornecidas pelas autoridades brasileiras. Sempre confirme no site da imigração do país para onde você vai. É triste, eu sei, mas quebramos a cara. Chegamos no aeroporto de Kota Kinabalu, felizes da vida com a perspectiva de saírmos dali, e quase não pudemos embarcar, porque as Filipinas exigem, sim, a passagem de saída do país. Reclamamos, argumentamos, explicamos sobre o acordo bilateral e dissemos até que eles estavam desinformados, mas não teve jeito. Obrigado, Brasil.

Vamos resolver o problema, então. Tem internet no aeroporto? Não. Tem internet em algum dos restaurantes do aeroporto? Que funcione, não. A única alternativa: comprar uma passagem no balcão – quem já passou por isso, sabe que sempre é mais caro. Sem saída, lá fomos nós para a sessão de extorsão do dia:

“Qual a passagem mais barata de Manila para Lombok, antes do dia 19/9?”

“Não existem voos diretos para a Indonésia, senhor, todos têm conexão em Kuala Lumpur na Malásia”

“Não? Mas viemos para cá com um voo direto de Bali…”

“…”

“Bom… É mais barato, então, se comprarmos apenas o voo para Kuala Lumpur e deixamos para comprar de lá para a Indonésia pela internet?”

“Com certeza, senhor, pela internet é sempre mais barato”

“E qual o dia mais barato?”

“Dia 17/9, senhor”.

Ou seja: eles realmente estavam nos extorquindo; teríamos que voltar, a contragosto, para a Malásia; o melhor voo era para dali a quase 40 dias, que passaríamos nas Filipinas sem termos planejado o que fazer e correndo o risco de ficarmos ilhados por causa das chuvas. Mas não tínhamos muitas alternativas, porque também não íamos comprar a passagem para ficar poucos dias, afinal o tempo poderia estar bom e ficaríamos arrependidos. Então, fechamos.

PRIMEIROS PASSOS NAS FILIPINAS

Depois da experiência de simplesmente chegar em Kota Kinabalu para então decidir o que fazer na Malásia insular, decidimos não cometer o mesmo erro nas Filipinas e ter pelo menos o primeiro passo já pré-definido. Ainda bem, por dois principais motivos:

Descobrimos nas pesquisas que Manila, onde desembarcaríamos, é uma cidade caótica, daquelas gigantes, com bastante trânsito e pouco turismo. Pelas descrições, imaginei algo parecido com Jacarta, com o adicional de ser perigosa. Ou seja, não precisávamos ficar lá, podíamos pular.

Além de ser grande, as Filipinas são divididas em ilhas, o que torna o transporte de uma para a outra complexo. As distâncias são longas, as saídas dos barcos não são frequentes. É melhor voar de um lugar para o outro e isso exige um planejamento prévio mínimo, para otimizar os gastos com as passagens.

Então, com base nisso, tomamos a decisão de nem sair do aeroporto de Manila: compramos um outro voo que saia poucas horas depois da nossa chegada para Puerto Princesa, capital da ilha de Palawan, onde também não paramos; pegamos uma van direto para El Nido, no norte, um dos diversos destinos paradisíacos da ilha. Foi o melhor que fizemos, pois apesar do deslocamento longo, que ocupou o dia todo, acordamos no dia seguinte prontos para aproveitar as Filipinas.

NOSSO ROTEIRO DE 40 DIAS NAS FILIPINAS

Com a necessidade de voar de um lugar para o outro, precisávamos planejar não só os primeiros dias nas Filipinas, mas todos. Então, já em El Nido, dedicamos um tempinho a isso. Não foi exatamente fácil, porque o país oferece muitas opções e boa parte delas parece ser, no mínimo, promessa de paisagens incríveis. Mas, por outro lado, passagens de avião costumam ser caras e, como precisamos conciliar a viagem com o trabalho, é ruim quando ficamos pulando de um lugar para o outro, muito rapidamente. Por isso decidimos limitar nossa estadia a três ilhas: a de Palawan, onde já estávamos, Cebu e Bohol. 17 dias para a primeira e 10 para cada uma das outras duas.

Na primeira, que é famosa por ter praias lindas e tranquilas, cercadas por (muitas!) ilhas ainda mais lindas, além de El Nido, por onde começamos, reservamos alguns dias para Puerto Princesa, ponto de partida para o passeio que leva ao Underground River (Rio Subterrâneo), uma das Novas Sete Maravilhas da Natureza, e escolhemos Port Barton, em San Vicente, como outra praia para estabelecer uma base, de onde poderíamos fazer saídas de barco para explorar a região. Já em Cebu, que é uma ilha mais desenvolvida, escolhemos a ilha de Bantayan, que fica no extremo no norte e é fora dos roteiros turísticos clássicos e, em Bohol, ficaremos em Panglao, que é um pouco mais conhecida e procurada por viajantes. Vamos contando tudo por aqui.

QUAIS AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES?

Pra começar, as expectativas quanto à beleza das Filipinas não estão sendo cumpridas. Estão sendo superadas. Até agora, tudo o que visitamos foi impressionante. Sem dúvida, é o lugar onde encontramos as paisagens mais bonitas da viagem, até aqui, e também onde cenários inacreditavelmente lindos são mais abundantes. O tempo tem contribuído, na medida do possível, pois apesar de haver, sim, chuvas, também tem bastante sol. Não temos do que reclamar, nem podíamos estar mais felizes.

O povo – que chama os gringos de “Sir” e as gringas de “Ma’am“, uma abreviação de madam – é do tipo que sorri de graça. E olha que eles não têm a vida fácil. Já vimos bastante pobreza nos lugares onde passamos, gente que vive em situações precárias e que trabalha pesado. Mas o sorriso está sempre lá, acompanhado da receptividade e do interesse, em especial das crianças, que são simpáticas e conversadeiras, além de inteligentes.

Viajar por aqui tem sido simples. O transporte é bom: além da Cebu Pacific, companhia aérea local que liga diversos destinos filipinos, dentro das ilhas há uma grande oferta de minivans e o sistema de ônibus funciona bem, é fácil e barato. Idioma também não é problema: é raro encontrar alguém que não fale inglês, já que é grande a influência dos Estados Unidos no país, sem contar que, por terem sido colonizados pelos espanhóis, muitas palavras da língua local remetem a outras que conhecemos. E, pra finalizar, pelo menos nos lugares por onde passamos, dá pra viajar gastando pouco, pois há acomodações e restaurantes de todos os níveis – basta procurar para encontrar algo que se enquadre ao seu orçamento, sendo que no caso de hotéis, o melhor é reservar online, onde sempre há promoções bem vantajosas.

Enfim, estamos gostando, muito. Estamos felizes. E estamos ansiosos pelas cenas dos próximos capítulos da nossa história nas Filipinas.

[su_box title=”//Quer escrever para a Plot?” box_color=”#141A21″]Escreva pra gente no contato@mundoplot.com.br contanto a sua história ou dica, que entramos em contato para combinar os próximos passos! :)[/su_box]
Rapha Rotta
Sócio-fundador da Plot, namorado da Manu, libriano indeciso e a cada dia mais asfaltofóbico. É apaixonado pelo mundo desde que consegue se lembrar e não consegue se sentir tranquilo sem saber quando será a próxima viagem.

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