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El Nido, nas Filipinas: no dia que fomos embora, já queríamos voltar

Nossa primeira parada nas Filipinas foi em El Nido, onde ficamos quase duas semanas. E facilmente ficaríamos mais, de tão agradável e impressionantemente bonito que é o lugar. As praias acessíveis por terra são todas lindas, daquelas de areia clarinha e mar transparente, que assume diversos tons de azul ao longo de sua extensão. As imensas formações rochosas, sempre ao fundo, não importa para onde você olhe, complementam a paisagem com um toque pra lá de especial. E se você pegar um barquinho para explorar as ilhotas da região, prepare-se, porque é quando os cenários atingem o nível do inacreditável.

Não ficou convencido? Tudo bem, porque tem mais. A cidade, que está mais para vilarejo, tem a estrutura necessária para um viajante: mercadinhos, restaurantes gostosos e que oferecem wifi, farmácias, lojinhas daquelas que vendem de tudo e assim por diante. É tudo bem simples, mas existe e funciona – é o que importa, certo? Para andar de um lado para outro, não faltam locais com seus trickshaw (as motos com uma carruagem acoplada) abordando você na rua. E pra completar, existe uma oferta bem ampla de hospedagem, com acomodações de todos os tipos e para todos os budgets. Ou seja, é o paraíso, não só pela beleza, mas porque é um destino pronto para receber seus visitantes.

NOSSA CHEGADA EM EL NIDO

Contei um pouquinho a respeito no post sobre a nossa chegada e nosso roteiro nas Filipinas, mas deixa eu explicar com mais detalhes. El Nido fica na ponta norte da ilha de Palawan, cuja porta de entrada é a capital, Puerto Princesa, onde há um pequeno aeroporto. Foi ali que desembarcamos e entramos direto em uma van, que nos levaria, em um trajeto de cinco a seis horas, para o nosso destino final. Nós fechamos esse transfer antecipadamente, com o hotel que havíamos reservado para as três primeiras noites – pagamos 600 pesos filipinos cada, o que equivale a uns R$ 48. Bom preço, né? Também achamos, mas dá até para economizar uns R$ 10, deixando para fechar direto com uma das muitas pessoas que ficam em frente ao desembarque oferecendo o mesmo transporte por 500 pesos filipinos.

Chegamos por volta de 1h (da manhã) e tivemos a primeira boa surpresa com o atendimento nas Filipinas: havia uma pessoa do hotel nos esperando. Tudo bem que nós avisamos que chegaríamos nesse horário e fechamos o transporte com eles, mas já aprendemos que isso não dá garantia nenhuma por aqui. Então ficamos felizes e confiantes de que nossa passagem pelo país seria especial – se quiser, pode dar risada de como precisamos de pouco, mas as boas energias estavam no ar, desde que desembarcamos e usamos isso como o gatilho que precisávamos para deixas nossas expectativas crescerem à vontade.

ONDE FICAMOS HOSPEDADOS

Primeiramente, no Novi’s Tourist Inn, esse aí que falei há pouco. Ficamos em um bangalô grande e bem confortável, com ventilador e ar condicionado, uma varanda privativa e sem água quente, por 700 pesos filipinos por noite (o que dá cerca de R$ 56). O hotel não era no centro, nem em frente à praia, mas bem perto. Nossa reserva inicial era para três dias, embora já soubéssemos que íamos ficar mais tempo, mas queríamos confirmar se o lugar era legal, se a internet funcionava bem e, claro, tentar economizar um pouco ao fechar as noites seguintes, negociando algum desconto, pelo menos o equivalente às taxas de reserva online.

E foi bom, pois decidimos mudar de lugar. Por quê: a internet não estava funcionando, segundo o pessoal da recepção por conta das chuvas, e nosso 3G (sempre temos um pacote de dados do país, afinal precisamos garantir que conseguiremos trabalhar) funcionava apenas na praia; tanto o café da manhã, quanto as refeições que eram oferecidos no hotel eram caros e o restaurante não seguia uma lógica de horário de funcionamento, então nem sempre que queríamos conseguíamos comer e por ser baixa temporada, os estabelecimentos da região também estavam fazendo uma escala bem alternativa, que os mantinha mais fechados do que abertos; os proprietários literalmente cagaram para o nosso pedido de desconto para fecharmos por mais uma semana e sequer quiseram ouvir a ideia de abater o valor das taxas de reserva online (que eles não receberiam, de qualquer forma) – na verdade, eles queriam cobrar mais, alegando que estavam com uma promoção online. Motivos mais do que suficientes, né?

Saímos em busca de outra opção, caminhando pela praia. Não porque queríamos ficar de frente para o mar, longe disso, mas o que podíamos fazer se era ali que nosso 3G funcionava? O primeiro que encontramos se chama Dormitels, faz parte de uma rede espalhada pelas Filipinas e tinha um banner comunicando um preço promocional de abertura da unidade de El Nido. O lugar é o que eu chamo de minimalista: uma construção com alguns quartos em um terreno em frente à praia. E só. Nenhuma área com uma mesinha que fosse para trabalharmos e sem wifi – segundo a moça da recepção, eles já solicitaram, mas deve demorar um três meses para a instalação. Ainda assim, cogitamos, mas seria muito ruim ficar trabalhando enfurnado no quarto. De qualquer forma, vale como dica para quem quiser economizar e não precisar de estrutura para trabalhar, pois o quarto com ventilador sai por cerca de R$ 40 a noite. Bem barato.

No lugar seguinte onde paramos, ficamos – ou melhor, decidimos ficar, porque ainda tínhamos mais uma noite onde estávamos. O nome é Telesfora Cottage e sabe quando o santo bate? Um restaurante cheio de mesinhas olhando para o mar, onde poderíamos trabalhar; wifi (que não era dos melhores, mas funcionava); um quarto confortável e muito limpo, com ar condicionado, ventilador de teto e até água quente. Perfeito. O primeiro preço (1.200 pesos filipinos, mais ou menos R$ 96) estava acima do que podíamos pagar, mas nem precisamos negociar: a moça da recepção se antecipou, perguntou quanto dias ficaríamos e baixou para 1.000 pesos filipinos (cerca de R$ 80), com café da manhã – ainda um pouco acima da nossa verba diária, mas nada demais.

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Bela vista pra esperar o jantar no restaurante do hotel | Foto: Rapha Rotta

Então, se você for a El Nido e, assim como nós, preferir ficar fora da cidade, leve o Telesfora em consideração. Foi uma delícia ficar hospedado ali, aproveitar a cozinha fantástica, cheia de pratos filipinos, e o staff é um ponto alto: muito gentil, muito simpático, muito prestativo. O hotel fica a uns 20 minutos de caminhada do centro e a corrida de trickshaw custa só 15 pesos filipinos por pessoa, ou seja, pouco mais de R$ 1. Eles ainda organizam passeios de barco pelas ilhas da região, transfer para Puerto Princesa e estão sempre disponíveis para ajudar, recomendar coisas, tirar dúvidas etc.

A PRAIA DE CORONG-CORONG

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Um dos lados da praia, no fim do dia, já com a maré baixa | Foto: Rapha Rotta

Como contei antes, tanto o primeiro como o segundo lugar onde ficamos hospedados não eram no centro de El Nido, mas na praia de Corong-Corong (que, também já disse, fica bem perto). Na região, além de alguns restaurantes e muitos minimercados, tem um mercado um pouco maior, que também funciona como farmácia. Então a verdade é que mal precisamos ir até a cidade, conseguíamos resolver tudo (que não é muita coisa quando se está na praia) por ali. Só fomos até lá no primeiro dia, para comprar um chip filipino com 3G, e depois para ir ao médico (tive febre alguns dias, achamos melhor ir até lá e não era nada demais).

A praia em si é relativamente extensa e bem bonita. O mar é melhor para nadar de manhã, quando não há tantos barcos e a maré cheia está cheia. Perto do fim do dia fica praticamente impossível – você anda, anda, anda e a água não passa da sua canela. Um ponto bem importante: cuidado com os ouriços, que estão na área. Como a água é absurdamente transparente, é fácil de vê-los, mas mesmo assim é bom não arriscar, porque posso afirmar com a propriedade de quem esteve na clínica particular da cidade que você não vai querer ter um problema mais sério por ali, principalmente que envolva buracos na sua pele, agulhas e coisas do tipo. Vou escrever um post contanto sobre a experiência de ir ao médico e você vai entender melhor.

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Mais uma de Corong-Corong | Foto: Manu Pontual

O ponto mais alto da praia de Corong-Corong, em El Nido, é o pôr-do-sol. Ele não se põe diretamente na água, pois há muitas ilhotas e formações rochosas no horizonte. Mas o espetáculo de cores que se forma é impressionante. Junto com o reflexo no mar raso, se não for o mais bonito que você já viu, vai no mínimo entrar para o TOP 5. Com certeza. Olha só:

A photo posted by Mundo Plot (@mundoplot) on

“LAS CABAÑAS, SIR?”

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Las Cabañas: o point da região | Foto: Rapha Rotta

Essa é, muito provavelmente, a frase que você mais vai ouvir durante a estadia em El Nido. Os autores são os motoristas de trickshaw, que ficam tentando te convencer a ir para Las Cabañas, uma praia ali perto, a 1km de distância na contagem filipina (que deve equivaler a uns 3km na contagem padrão), que está em uma baía, portanto é menos influenciada pela maré e boa para nadar o dia inteiro. É o point da região, com bar na areia e até uma tirolesa. Todo mundo vai para lá, então se prepare para trocar a paz de Corong-Corong por um agito – que, imagino eu, seja bem intenso na alta temporada.

Independentemente disso, a praia é linda, o pôr-do-sol também é sensacional (embora não tanto quanto em Corong-Corong) e vale a visita. Nós fomos a pé, porque achamos o preço do trickshaw inflacionado: 300 pesos filipinos (aproximadamente R$ 24) para ir e voltar. E não adianta negociar, porque é meio tabelado. Além da grande economia, foi um passeio agradável, porque saímos a tarde, quando a maré já estava baixa, e caminhamos pela praia. Tem umas partes com o terreno lamacento, precisa atravessar umas pedras, mas nada demais, dá pra encarar numa boa. No trajeto, você ainda passa por outras praias, bem pequenas e inabitadas, inclusive uma particular que incentiva o nudismo – que não praticamos, porque o mar estava seco, não dava pra entrar, então não tinha porque simplesmente ficar ali peladão por 10 minutos, depois se vestir e seguir viagem.

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Pôr-do-sol em Las Cabañas, também é sensacional | Foto: Manu Pontual

MUITO PRAZER, TUFÃO

Durante nossa estadia em El Nido, ainda tivemos uma outra experiência nova: conviver com um tufão. Ele não chegou a passar exatamente por lá, se não teríamos um problema sério com que lidar. Mas passou perto das Filipinas e literalmente arruinou o tempo por mais da metade dos dias em que estivemos por lá. Quando chegamos estava chovendo, mas passou por uns dias e depois vieram as maiores e mais intensas tempestades que já vi. Em alguns dias chovia o dia todo; em outros os temporais eram de tempos em tempos. Mas o azul do mar foi embora, a praia ficou totalmente revirada e a maré agressiva. Foi pesado.

No fim das contas, ao invés de ficar os 10 dias planejados, ainda estendemos um pouco mais e ficamos 13, pois estávamos com a esperança que o tempo melhorasse, para conseguirmos fazer mais coisas. Tivemos tempo para: aproveitar Corong-Corong, onde estávamos hospedados; curtir um pouco de Las Cabañas, mas só por uma tarde (havia o plano de voltar lá); e fazer um passeio de barco pelas ilhas da região. E foi tudo muito incrível, pra fazer valer a passagem pela cidade, apesar das chuvas. Mesmo assim, ficou bastante coisa de fora, o que significa que, algum dia, vamos ter que voltar a El Nido. Chato, né? Mas acho que podemos fazer esse esforço.

E você, já foi pra El Nido? Conseguiu fazer mais coisas que a gente? Conta aqui para colocarmos na lista que já estamos montando para a próxima visita ao destino! :)

Rapha Rotta
Sócio-fundador da Plot, namorado da Manu, libriano indeciso e a cada dia mais asfaltofóbico. É apaixonado pelo mundo desde que consegue se lembrar e não consegue se sentir tranquilo sem saber quando será a próxima viagem.

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