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Do choque ao encantamento em 6 minutos

Nossa família tailandesa (já falamos sobre a hospitalidade deles aqui) nos recomendou ir no sábado ao mercado aberto Chatuchak, que fica ao norte de Bangkok, um pouco afastado do centro – a apenas 10 minutos de carro da área que eles delimitam como centro.

Como fomos eu, o Rapha e um casal de franceses que estavam hospedados na mesma casa, acabamos pegando um táxi, e isso saiu mais barato e mais confortável do que pegar metrô (falaremos sobre isso em breve). Ele nos deixou em uma rua com um monte de barraquinha na calçada e, ao descer do táxi, uma coisa engraçada aconteceu: a francesa, que tinha nos convidado para fazer o passeio com eles, imediatamente falou “vamos então nos dividir? Acho que vai ser mais eficiente”. Não entendemos nada (e, em defesa do marido dela, parece que ele também não), mas ok. Seguimos nosso rumo.

Barraca de peixinhos | Foto: Rapha Rotta
Barraca de peixinhos | Foto: Rapha Rotta

As barraquinhas da calçada formavam uma grande confusão, daquelas que encantam quando estamos no estrangeiro, de tão curioso e diferente, sabe? Eram várias do ladinho uma da outra, cheias de peixes de todo tipo à venda. E, quando eu falo todo tipo, eu falo todo tipo mesmo: a maioria era peixinho pequenino, que a gente ta acostumado a ver em saquinhos à venda, mas tinham alguns que, tipo, you just reached a limit right there, peeps. Chegamos a ver arraias em sacos plásticos, tartarugas de diversos tamanhos, lagostas e lagostins, enfim. Uma pá de coisa. Mas fomos levando, OK, xá quieto, é da cultura.

Seguimos a rota das barraquinhas da calçada e já estávamos nos perguntando “cadê esse tal de mercado gigante a céu aberto, pessoal? Aqui tem só umas barraquinhas e tal”, quando encontramos uma entrada que dava para mais um monte de barracas. Bingo! Entramos. Foi aí que o inferno começou.

A primeira barraca tinha uns 10 gatinhos, todos claramente tristes, mal cuidados e sofrendo, presos em gaiolas individuais. Choque número 1, mas vamos seguir e paciência. A segunda barraca, por sua vez, tinha a mesma cena, só que de cachorrinhos. Até aí, muito cruel mas nada que já não tenhamos visto no Brasil mesmo. Só que vieram a terceira, quarta, quinta, vigésima barracas, e entendemos que limites não existiriam: esquilos com rabinho sem pêlos, patos, ramsters, coelhos, tartarugas GIGANTES, cabras (!!), papagaios com asas cortadas, passarinhos sem pêlos na barriga, camaleões, araras (!) e, enfim, uma penca de bichos, de todo tipo, tamanho e habitat, todos presos em gaiolas muito menores do que o aceitável, “gritando” e com olhar triste. Me dá um nó na garganta só de lembrar. Como a gente foi seguindo pensando que deveria ter outra ala do mercado com artesanato e etc, acabamos nos perdendo e ficou realmente difícil pra gente, nos sentimos num labirinto torturante. Em dado momento, vimos um homem sem as duas pernas e sem um braço jogado de bruços no chão, olhando na direção de um potinho para esmolas. E todo mundo passando em volta como se fosse super normal, crianças escolhendo os pets que ganhariam dos pais, uma loucura. Tudo isso enquanto eu e o Rapha começávamos a entender que não teria mesmo artesanato nenhum, que a gente precisava sair dali e pra todo lugar que olhava tinha mais bicho. Foi horrível, não recomendamos pra ninguém.

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O mercado errado | Foto: Rapha Rotta

Quando finalmente achamos a saída, decidimos ir para um parque ali do lado que vimos de dentro do táxi quando estávamos chegando. O parque era grande, parecia ser lindo, o lugar ideal pra gente se recuperar dos últimos minutos (que, vale dizer, foram poucos: passamos 6 minutos, para ser exata, dentro do mercado de animais) e repensar a programação do dia. No caminho do parque o Rapha avistou uma outra entrada, muito mais arrumadinha e um pouco mais organizada, e resolvemos tentar a sorte, já que o tempo inteiro pensávamos: não é possível que essa família tão fofa e hospitaleira recomendaria essa loucura pra gente, deve ter algo mais por aqui.

Eu não conseguiria explicar o tamanho do nosso alívio ao entrar nesse lugar. Já nos primeiros passos, vimos que as barracas eram cheias de quadros, pinturas, gravuras. Cada coisa mais linda que a outra. Artistas que, de tão impressionantes, nos deram até vontade de ter uma parede pra chamar de nossa, pra que pudéssemos pendurar alguns daqueles quadros. Nos perdemos por vários minutos nas galerias enquanto nos recuperávamos dos momentos anteriores. Esse mercado se chama Chatuchak e é, sim, muito famoso, e enorme. Depois dos quadros, vieram artesanatos, e os itens são igualmente encantadores! De roupas a itens para casa, passando por bonecos gigantes de super heróis (gigantes, tipo, 2,5m de altura). Ficamos loucos. Eu queria comprar todos os vestidos, saias, bolsas e blusinhas. O Rapha quis comprar o Batman, confesso, e várias camisetas. Ficamos tentados a comprar presente pra todos os nossos amigos e família – cada coisa que olhávamos tinha a ver com alguém que conhecemos. Começamos até a pensar em um esquema de devolver tudo o que trouxemos para o Brasil pra refazer a mala nesse mercado. É impressionante e um passeio imperdível. Isso sem falar das comidas e bebidas!

O mercado certo! :) | Foto: Rapha Rotta
O mercado certo! :) | Foto: Rapha Rotta

Tem diversas barracas-bar ótimas pra parar pra uma cerveja ou um petisco tailandês, tem lugar pra sentar e almoçar, barracas de kebab, pad thai, crepe, enfim. Uma infinidade de coisas. Várias barracas até com ar condicionado. Foi lá que descobrimos também algo cujo nome ainda não pegamos, mas muito gostoso: um tipo de gatorade natural tailandês. Como se fosse um soro + suco. Uma delícia!

O gatorade natural tailandês | Foto: Rapha Rotta
O gatorade natural tailandês | Foto: Rapha Rotta

Saímos do Chatuchak felizes da vida depois de horas passeando pelas barracas do mercado certo, de barriga cheia e planejando a próxima vez em que voltaríamos.

Recomendamos muito esse passeio para todos, com direito a esticadinha no parque ao lado pra ler um livro, caminhar ou só rever as fotos. Mas sugerimos essa atenção ao entrar – percebemos depois que o Chatuchak é inteiro sinalizado, inclusive nas entradas, e separados em setores. Não ficou claro ainda se os animais que vimos realmente não faziam parte do mercado – lemos informações de que tem, sim, uma seção de pets no mercado, e que o mercado tem cerca de 35 acres, e tudo é possível em 35 acres. Mas continuamos botando fé de que era algo à parte, e de que a seção de pets do Chatuchak é menos cruel. Além disso, vale observar que no mercado dos animais quase não tinha nenhum ocidental, enquanto no restante do que vimos o público já era mais misturado. Ou seja: vai com fé, e não se assuste – se entrar no lugar errado, é só dar meia volta. O passeio vale à pena.

O que: Mercado Chatuchak e Parque Chatuchak

Onde: estação Mo Chit (BTS) ou Chatuchak Park (MRT). Descendo em qualquer uma delas, apenas siga o fluxo, que você encontrará o mercado.

Horários: sábados e domingos, das 09:00 às 18:00, e sextas das 18:00 às 24:00

Manu Pontual
Aquariana de corpo e alma, Manu é apaixonada por viagens. Fundou a Plot junto com o Rapha, e agora vive viajando - seja de verdade, fazendo roteiros para os nossos clientes, ou sonhando com os próximos destinos.

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