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Como viajar barato por Cingapura

Cingapura não é um destino muito comum para mochileiros e, depois de conversar com outros viajantes, entendemos os dois principais motivos pelos quais isso acontece. O primeiro é o custo do país, que é alto, principalmente em comparação com os demais destinos asiáticos, o que torna bem difícil viajar barato por Cingapura – algo que comprovamos em nossa estadia. O outro é a falsa ideia de que não há muito o que fazer por lá, já que o local é considerado um grande centro comercial, com baixa atratividade turística – com esse ponto não concordamos e vamos mostrar o porquê em nossos textos sobre o destino.

Como queríamos muito conhecer o país, principalmente para ter uma visão sobre um lado do sudeste asiático totalmente atípico, dada a modernidade e o desenvolvimento do país, resolvemos buscar alternativas para viajar barato por Cingapura e viabilizar a inclusão do destino em nosso roteiro. E conseguimos: passamos 10 dias e não quebramos a banca, embora alguns “sacrifícios” tenham sido necessários para isso.

UM OVERVIEW SOBRE CINGAPURA

O destino é uma cidade-estado, o que significa que existe uma única cidade, que corresponde a todo o território do país. O nome, inclusive, é o mesmo: Cingapura. A independência dos ingleses  e separação da Malásia ocorreu há apenas 50 anos, em 1965, mas as heranças culturais e comportamentais são notáveis: o trânsito é invertido com relação ao do Brasil, os carros param nas faixas para dar passagem aos pedestres (mas não fora delas), as pessoas deixam a direita livre nas escadas rolantes, (quase) todo mundo fala inglês, que é um dos idiomas oficiais, e é tudo muito organizado – esse último ponto, vale dizer, conquistado na base da imposição da autoridade, já que a cada 10 passos existe uma placa informando o que você pode ou não fazer, com a ameaça de uma multa astronômica para quem descumprir a regra.

Outras influências notáveis são dos chineses, japoneses e indianos, que por inúmeras razões imigraram para o país, além do forte êxodo vindo da Malásia, única “fronteira terrestre” – assim mesmo, entre aspas, porque na verdade Cingapura é uma ilha, com apenas dois acessos, os Estreitos de Johor, que foram construídos e tiveram papel de destaque na Segunda Guerra Mundial já que foi por ali que o exército britânico foi surpreendido pelos japoneses, que tomaram a ilha, recuperada apenas ao final dos combates, com a vitória dos Aliados (grupo do qual o Reino Unido faz parte).

E, claro, Cingapura é moderno como todo mundo imagina, mas mais que isso: o país é um dos mais ricos do mundo, pertencente aos Tigres Asiáticos (grupo que contempla as quatro principais potências econômicas do continente), posição que conquistou principalmente por ser uma das maiores refinarias de petróleo em todo o planeta.

Você deve estar pensando “legal tudo isso, mas e ai, como faz pra viajar pra lá sem gastar muito dinheiro?”. Então, vamos ao que interessa.

COMO VIAJAR BARATO POR CINGAPURA

Em primeiro lugar, importante dizer, é preciso estar disposto a abrir mão de (1) luxos e mordomias, (2) algumas atrações e (3) a sola dos seus sapatos. E, assim, ter certeza que dá pra fazer a viagem para o país caber no orçamento. Dá uma olhada nas nossas estratégias de economia forçada – que, vale dizer, funcionaram muito bem.

Onde ficar

Esse é o principal problema. Tudo é muito caro, principalmente para os padrões do sudeste asiático. Comparando com a Tailândia, que temos mais experiência: o que pagávamos em um quarto simples não te dá direito a uma hospedagem; o valor de um quarto intermediário te leva para um albergue, em quarto compartilhado; e o custo de um hotel de luxo deve te levar para um hotel mais ou menos. Então, aqui começa o desapego – mas a boa notícia é que esse é o principal gasto, desde que você não seja alcoólatra ou fumante compulsivo, pois esses itens também custam muito no país.

Resolvemos essa questão ficando em um dos locais mais baratos, com quem ainda negociamos algumas noites gratuitas, em troca de uma avaliação do albergue aqui no Mundo Plot. Ficamos os 10 dias em um quarto para 8 pessoas, utilizando um banheiro compartilhado tenso, mas vamos contar mais sobre isso em breve, então nada de estragar a surpresa. O que vale adiantar aqui é que a Little India, um dos bairros de Cingapura, é onde ficam as opções mais em conta.

Onde comer

Existem, em Cingapura, lugares conhecidos como Hawker Centres. É tipo uma praça de alimentação que não está só nos shoppings, mas por toda a parte. Procure por um deles, junte-se as locais e escolha entre diversas opções (quase todas asiáticas, é verdade), para fazer uma refeição – com suco natural e tudo – por cerca de SGD 8,00 (algo em torno de R$ 19).

Além disso, tem um McDonalds ou um Burger King em cada esquina e os menus completos (lanche + batata + bebida) custam mais ou menos a mesma coisa que a refeição que comentei acima, então dá pra alternar ou, aos menos adeptos da culinária oriental, adotar um dieta junk.  Por fim, a última dica, e essa é quente, é o 7-Eleven, onde é possível encontrar sanduíches até que bem gostosos e, pasme, pratos feitos (os famosos PF), cujo preço e sabor são bem honestos.

Restaurantes de comida ocidental ou os orientais gourmet estão na categoria luxo, portanto, fora dos planos. E quanto à bebida, dê esse tempo de folga para o seu fígado e será melhor não só para ele, mas também para o seu bolso.

O que fazer

Ao contrário do que muitos pensam, Cingapura tem muita coisa para fazer. Muita! E é verdade que boa parte das atrações são muito bem pagas, como andar de roda-gigante ou barquinho na baía, visitar o parque da Universal em Sentosa ou brincar no estilingue humano que tem na beira do rio e te deixa louco de vontade quando você passa e ouve as pessoas gritando. Mas, acredite: você não precisa disso pra se divertir, pois existe todo um universo de atividades gratuitas ou bem baratinhas e é nelas que você precisa focar para economizar – no máximo, escolha entre uma ou ou outra, aquelas que julgar imperdíveis e troque o almoço por um snack em um, dois ou três dias, dependendo de quanto essa extravagância tiver custado.

Nós montamos um roteiro só de coisas baratas ou gratuitas, afinal algumas atrações pagas custavam mais, para uma pessoa, do que a verba diária que tínhamos para nós dois. Ai vão dois dos links mais legais que encontramos como referência para montar nossa programação (ambos em inglês):

20 free things to do em Singapore, by Lonely Planet

12 cheap things to do in the daytime, by Time Out Singapore

Como se deslocar pela cidade

Sabe aquela frase “pernas pra que te quero?”. É pra isso – até porque duvido que você ande fugindo por aí com muita frequência. O transporte público de Cingapura funciona muito bem e pode te levar para todos os pontos da cidade, mas se você utilizá-lo para cada deslocamento, todo o sacrifício nos itens anteriores vai por água abaixo (o ônibus avulso é SGD 2,00 – cerca de R$ 4,70 – e o metrô varia de acordo com a distância, com tarifas de SGD 1,00 a SGD 3,00 – entre R$ 2,35 e R$ 7,05).

Então, a estratégia é a seguinte: planeje-se antes de sair e marque em um mapa todos os pontos que você pretende cobrir naquele dia; escolha um ponto de início e um de término que tenham uma estação de metrô, use o metrô para chegar até eles e boa caminhada. Esse é um ótimo jeito de conhecer os lugares, ver os locais vivendo sua rotina e ficar craque no manuseio de mapas – sem contar as calorias do fast-food que você perde. Ou seja, muitos benefícios, além da tão importante economia.

Nem vou falar sobre taxi, porque depois de tudo isso, tenho certeza que você não está pensando em pegar um, certo?

Eu não disse que seria fácil, mas acho que deu pra te convencer de que é possível viajar barato por Cingapura, né? Agora fica ligado nos nosso próximos textos, pra ver que mesmo assim o país é divertido e, em muitas ocasiões, surpreendente – e, claro, se tiver mais dicas de economia, seja por lá ou em viagens em geral, são mais que bem-vindas, para aprimorarmos nossas estratégias!

 

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Rapha Rotta
Sócio-fundador da Plot, namorado da Manu, libriano indeciso e a cada dia mais asfaltofóbico. É apaixonado pelo mundo desde que consegue se lembrar e não consegue se sentir tranquilo sem saber quando será a próxima viagem.

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