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Ilha de Bantayan, nas Filipinas: o paraíso que ninguém te contou que existia

Depois de El Nido, parecia que ia ser difícil encontrar algum outro lugar nas Filipinas que nos impressionasse tanto pela beleza. Mas aí chegamos na ilha de Bantayan, que fica no norte da província de Cebu e percebemos que o país ainda tinha muito com que nos surpreender. Ficamos felizes por isso, gostamos de surpresas.

O destino não é dos mais famosos entre os turistas. E mesmo os locais para quem contamos que iríamos para lá demonstraram uma certa curiosidade pela nossa decisão. Acho até que eles nos acharam um pouco esquisitos. Mas quem liga? Estávamos confiantes mesmo com o pouco que encontramos sobre o lugar nas nossas pesquisas. As fotos faziam valer o risco. E nossa decisão não podia ter sido mais acertada.

COMO CHEGAR EM BANTAYAN

De Cebu, onde chegamos em um voo que partiu de Puerto Princesa, dormimos uma noite e no dia seguinte pegamos um táxi até a rodoviária norte (North Bus Terminal), de onde saem diversos ônibus diários para Hagnaya – desses, apenas três têm ar-condicionado e, para nossa sorte, a única fonte que encontramos com os horários estava certa; conseguimos pegá-lo.

O ponto final do ônibus, cujo trajeto leva entre 3h e 4h, é no píer de Hagnaya. Dali, basta pegar um ferry que vai até a cidade de Santa Fé, já na ilha de Bantayan, e pronto. Só é preciso estar atento a uma coisa importante: o último horário é 17h30, portanto quem chega depois disso tem que pernoitar por ali (e não parece que existem muitas opções) para embarcar no dia seguinte. Isso também significa que o ideal é sair de Cebu no máximo às 14h – e ainda assim torcer por um trânsito livre.

ONDE FICAMOS EM BANTAYAN

A ilha de Bantayan é dividida em três cidades: Santa Fé (onde chegamos), Bantayan (onde também chegam alguns dos ferries) e Madridejos. A primeira é, sem dúvida, a melhor opção para quem quer aproveitar as praias: as melhores estão por ali. Então, foi por lá que ficamos.

Decidimos ir andando do píer ao hotel, um pouco porque não queríamos gastar, mas também para não termos que lidar com aquela enxurrada de ofertas de transporte, uma mais inflacionada do que a outra, como é comum nessas situações de chegada aos lugares. E fizemos bem, pois em menos de 15 minutos já estávamos dentro do bangalô que nos abrigou pelas oito noites que passamos na ilha.

Nossa escolha foi o Bantayan Cottages e eu não poderia recomendar mais para quem quiser gastar pouco, mas ficar bem acomodado. Por menos de R$ 50 por noite, tivemos um quarto bem amplo e limpo, com ar-condicionado e varanda. Tem wifi (que não é o mais rápido do mundo, mas funciona) e ainda podíamos utilizar a cozinha da casa onde moram os proprietários – uma família enorme, cheia de crianças, todos muito gentis e disponíveis. Sem contar o cafézinho que eles colocavam na nossa porta, todas as manhãs, para começarmos o dia bem. Não era de frente para a praia, mas bem perto, na única rua pavimentada que corta toda a cidade, então não tenho do reclamar. Mesmo.

Confesso que não nos aprofundamos nas opções de hospedagem nas outras cidades, pois desde o começo queríamos ficar o mais perto o possível das praias, então Santa Fé era a melhor pedida. Mas tenho certeza que existe, só não sei se vai ser muito legal – um dia, fomos até a cidade de Bantayan e é daquelas movimentadas e confusas. E não fomos para Madridejos, porque não descobrimos nada que fosse imperdível para fazer por lá. Ou seja…

E COMO É  A CIDADE DE SANTA FÉ?

Bem pequena, sem luz nas ruas, alguns micromercados que vendem o básico, um único que é um pouco maior e tem mais variedade, poucos restaurantes e bem mais tricycles (aquelas motos com um carrinho do lado) do que o necessário para o período: se vimos outros cinco turistas por lá, foi muito. Os resorts à beira-mar, que não são poucos, estavam praticamente desertos.

Como a época era de chuva nas Filipinas, o lugar estava – literalmente – às moscas. E o melhor disso tudo é que, durante todo o tempo que passamos por lá, dividimos as praias apenas com as crianças locais, que não podiam ser mais simpáticas e divertidas. Soubemos que as coisas não são bem assim na alta temporada, em que as ruas ficam cheias de gente, os guarda-sóis tomam conta da areia e aquela coisa toda.

MAS VAMOS AO QUE INTERESSA: AS PRAIAS DE SANTA FÉ

Se você acompanha nossa viagem, já me viu fazer essa mesma descrição antes, mas não consigo encontrar outras palavras pra descrever esse tipo de paraíso. Areia branca, mar que mistura o azul-turquesa e o transparente, coqueiros e mais coqueiros por todos os lados. Tipo fundo de tela de computador. Exatamente o que encontramos em Santa Fé.

A praia mais próxima de onde estávamos hospedados é a White Beach (ou Praia Branca), cujo nome não podia ser mais justo, pois é tudo tão claro – o mar, a areia – que óculos escuros são recomendados pra dar uma olhada. E ver onde termina a areia e começa o mar: sem chance. Os dois se misturam em meio à transparência da água, criam um efeito sensacional e não dá vontade de parar de olhar nunca mais.

Mas aí você se recupera, começa a andar no sentido oposto do píer (que, olhando para o horizonte, fica à esquerda) e vai chegando a outras praias, que são no mínimo tão bonitas quanto, mas muitas vezes ainda mais. É esse o momento em que (1) você acha que vai explodir de tanta felicidade por ter o privilégio de estar ali e (2) você começa a questionar porque tantos viajantes não se dão ao trabalho fazer uma pesquisa simples no Google (ex.: best beaches in Cebu, que foi o que fizemos) para descobrir paraísos assim. Azar o deles, sorte a nossa (minha, da Manu e sua que está lendo, então também vai poder conhecer, quando for às Filipinas).

Dá uma olhada pra se convencer definitivamente:

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Lindo e olha que nem era o dia mais ensolarado | Foto: Rapha Rotta

ENTÃO É ISSO? FICAR O TEMPO TODO DE BOBEIRA NESSAS PRAIAS?

Sim – porque não seria nada mal – e não – porque tem outras coisas legais para fazer, caso você queira ficar só uma parte do tempo de papo pro ar.

A primeira delas é visitar a Ongtong Cave e esse é o tipo de conselho que eu não daria, se não fosse realmente válido. Isso porque uma das coisas que mais me incomodam é quando empresas se apropriam de coisas da natureza e passam a cobrar ingresso. Acreditem se quiser, a caverna fica dentro de um resort e custa cerca de R$ 8 por pessoa, o que é pouco, eu sei, mas minha questão é conceitual.

Nós soubemos desse detalhe quando chegamos. Em partes porque as informações disponíveis na internet são realmente escassas, então sequer encontramos fotos – as pessoas diziam “vá à Ongtong Cave” e nós obedecemos. Mas também conta o fato de que imaginamos muitas coisas que podem estar dentro de um resort ou de qualquer outro tipo de propriedade privadas, mas uma caverna? Não faz sentido.

Bom, vida que segue. Já estávamos lá (e fomos de tricycle, porque é mais afastada de onde estávamos), então pagamos, entramos – resmungamos um pouco, é claro – e saímos achando que valeu a pena. Primeiro pela caverna, que fica bem no meio do resort e é linda mesmo. A água é supertransparente, com um toque azulado, a formação das rochas é bem interessante e, apesar da placa na entrada, a escada construída com pedras e o corrimão de madeira totalmente fora do contexto natureza, foi uma delícia dar um mergulho, porque o dia estava muito quente. Além disso, o segundo motivo, foi a praia particular.

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De dentro pra fora – e olha lá a escada e o corrimão | Foto: Rapha Rotta

E olha a gente curtindo uma caverna (cavernando?):

A photo posted by Mundo Plot (@mundoplot) on

Praia particular é outra coisa irritante. Mas vou passar direto por esse ponto, para contar o que importa para você: era linda, com aquela composição perfeita de mar e areia de que tanto falo e gosto. Isso sem contar que era ótima para nadar, pois é uma baía onde a água ganha certa profundidade e não existem corais. Ou seja, perfeita. Pagamos, mas aproveitamos. E praticamente sozinhos, quase o dia todo, até que apareceu um bando de águas-vivas, algumas delas pretas – o que dava a sensação de serem não só perigosas, mas mortais – e se apoderaram do pedaço. Literalmente nos expulsaram do mar e ficaram com ele só pra elas. Não que não pudéssemos entrar, mas depois da experiência de ir a um médico em El Nido, aqui nas Filipinas, estamos evitando situações que nos obriguem a repetir a dose. De qualquer forma, valeu pelo tempo que tivemos antes da chegada de todas elas.

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“Nossa” prainha | Foto: Manu Pontual
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E ai, vai encarar? | Foto: Rapha Rotta

Além da Ongtong Cave, se Bantayan não tivesse um passeio de barco pelas ilhas da região não seria Filipinas, certo? Certo, mas isso já é assunto pra um outro post! ;)

Plot Viagens
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Somos especialistas em planejar viagens e queremos contribuir para que cada vez mais pessoas possam transformar planos em realidade. Aqui no blog compartilhamos histórias, dicas, relatos e inspirações.

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