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A cultura guardada nos bairros de Cingapura

Uma das coisas mais legais ao viajar para uma cidade grande, pelo menos na minha opinião, é andar e se perder pelas ruas, um pouco sem rumo, para poder conhecer a sua essência. Diferentes regiões, que abrigam culturas, arquiteturas e atividades específicas. Os locais vivendo a vida, convivendo entre si e com a massa turística que muitas vezes invade seu espaço e sua rotina. É muito legal, mesmo. Então, não podia ser diferente: montamos nosso roteiro de forma a ter tempo para explorar os bairros de Cingapura e entender um pouco mais do que acontece em um dos lugares mais desenvolvidos em toda a Ásia.

No nosso primeiro texto sobre o país aqui no site, com dicas para quem quer viajar barato por Cingapura, contei sobre as diferentes culturas que coabitam o local: indianos, malaios e chineses, além dos muitos expatriados que vivem por lá. Tudo junto e misturado, sim, mas – descobrimos em nossas andanças – também com um lugar pra chamar de seu, onde as tradições, hábitos e costumes que remetem às suas origens seguem preservados, vivos e acessíveis, embora em constante mutação, já que estão expostos à multiculturalidade que impera na cidade-estado.

EXPLORANDO OS BAIRROS DE CINGAPURA

Abrimos um mapa, checamos onde ficavam os bairros de Cingapura que, com base em nossa pesquisa, pareciam mais interessantes. Descobrimos como chegar em cada um deles e partimos para a exploração, com uma ideia geral do que encontraríamos, mas sem um passo a passo do que fazer, um roteiro para seguir. Queríamos sentir e colocar em prática aquela história de “deixar-se perder, na certeza de assim encontrar”. E foi uma bela de uma decisão acertada, como sempre é.

LITTLE INDIA

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Para nossa sorte, para conhecer esse bairro não precisávamos nos deslocar: estávamos hospedados dentro dele e, portanto, respirando o clima indiano – assim como o delicioso cheiro de curry que toma conta das ruas o dia todo, mas principalmente no começo da noite, perto da hora do jantar.

Little India, como o nome sugere, tem a intenção de ser uma reprodução em pequena escala do país de quem herda a cultura. Não posso afirmar que é uma fiel reprodução, pois nunca visitei a Índia, mas posso, sim, dizer que me sentia transportado para outro lugar todas as vezes em que chegava ali, principalmente vindo da parte mais moderna de Cingapura. Ali, as coisas não eram assim tão tecnológicas, organizadas e limpas. Parecia mais com uma bagunça civilizada, puxada pela quantidade de gente nas ruas, o tempo todo. Fosse vendendo ou comprando alguma coisa, fosse andando de um lado para o outro com aquelas belas e coloridas vestimentas, fosse conversando em altíssimo volume com alguém que estava ao seu lado ou do outro lado da rua.

Pelas ruas da região, comida é o que não falta. Cada esquina tem, seguramente, mais de um restaurante, sem contar os que ficam no meio do quarteirão e as praças de alimentação localizadas aqui e ali. E a comida, ao que tudo indica, é tradicionalmente indiana, sem influências, com toda a pimenta e o cheiro de mil temperos misturados. No bairro também existem lojas de tudo o que se pode imaginar – da coleção completa dos clássicos de Bollywood a muito ouro (inshallah!), passando por (mais) comida, roupas, cosméticos, sedas, presentes etc. E, claro, também estão por lá os templos (budistas ou hinduístas) e as mesquitas, onde a movimentação é sempre bastante intensa, não importa o horário.

CHINATOWN

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Depois da experiência de conhecer a Chinatown de Bangkok, em que havia uma grande mistura entre a cultura chinesa e a tailandesa, visitar o bairro que abriga a comunidade chinesa de Cingapura foi confuso. Principalmente na chegada, em que nos deparamos com um grande shopping de souvenires a céu aberto. Um milhão de barracas, vendendo exatamente as mesmas coisas, pelo mesmo preço, por diversas ruas. Desesperador, principalmente pra quem, como era nosso caso, não quer comprar nada. Mas queríamos comer uma boa comidinha local, só que não existiam barraquinhas de rua ou restaurantes de azulejo branco em que o sabor compensa a apresentação das coisas. Por outro lado, restaurantes finos estavam por toda parte. Ou seja, altamente turística.

Mas respiramos fundo e seguimos com a exploração, pra tentar encontrar algo mais chinês que as bolas iluminadas de decoração, que se estendiam por praticamente todo o perímetro da “feirinha de souvenires”. E conseguimos. Não muito, nem a ponto de poder dizer que nos sentimos transportados para a China, mas encontramos um lindo templo chinês, infelizmente cercado por uma obra, que mesmo assim era imponente. Também achamos os restaurantes mais típicos, menos caros, e comemos bem. E descobrimos ruazinhas adjacentes às principais onde funciona o mercado de produtos importados.

Tudo isso aconteceu à noite e escolhemos esse horário para visitar o bairro para que pudéssemos vê-lo iluminado, outra das nossas preferências. Não tivemos a oportunidade de voltar durante o dia, mas é o que eu faria se voltasse ao país, como uma tentativa de encontrar algo menos comercial.

KAMPONG

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A última vila em Cingapura, onde o “novo” e o “velho” se misturam, é o bairro que abriga parte da comunidade malaia – até a independência, em 1965, os dois países constituíam um só. Caminhar por ali é, realmente, diferente do restante do país, pois a arquitetura é formada por casas de estilo colonial, que hoje abrigam lojas, restaurantes e alguns hotéis ou albergues. É uma região baixa, formada majoritariamente por casas térreas ou sobrados, com os prédios modernosos e espelhados ao fundo, criando um contraste bem interessante.

A principal atração da área é a Sultan Mosque (ou Mesquita do Sultão, em português) que se destaca por sua construção, cheia de abóbadas imponentes. Mas, adivinhem: estava em obras! Então, não conseguimos desfrutar de toda a beleza do complexo, cuja entrada dá para um bulevar repleto de lugares agradáveis para uma refeição em mesinhas na calçada, acompanhada de um narguilé.

Uma parte interessante sobre o bairro é que, apesar da religião predominante na área ser a muçulmana, que é conhecida por crenças radicais, é lá que fica a rua hipster de Cingapura – mais uma prova de que o país é adepto praticante da coexistência cultural. Na Haji Lane é possível encontrar bares, cafés, restaurantes com propostas descoladas, além de, é claro, pessoas descoladas. Passamos por ali no fim da tarde e deu pra perceber que, apesar de um ou outro turista por ali, o lugar é um reduto de locais, em busca da  merecida cervejinha pós-trabalho.

BOAT QUAY

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Claramente não seria possível que houvesse um dos bairros de Cingapura para cada país de onde os muitos expatriados vêm. Mas, despretensiosamente, andando pelas ruas em um fim de tarde de sexta-feira, percebemos uma grande concentração de estrangeiros recém-saídos do trabalho e confraternizando – com a cervejinha, claro – em Boat Quay. Como sabemos que eram moradores e não turistas? Dá pra perceber, pelas roupas e pelo ar de intimidade que inspiram com a cidade, além da composição multicultural dos grupos ser outra pista. Podemos estar errados? Sim. Porém acho difícil acreditar em pessoas que fazem turismo com trajes sociais e salto alto, principalmente em um lugar quente desse jeito (mas vai saber, né?).

O bairro fica às margens do Rio Cingapura, uma região nobre da cidade-estado, onde há um shopping a céu aberto, com diversas lojas e restaurantes. Todos finos. Também existe, por ali, algumas atrações voltadas para viajantes, como o estilingue humano. Ou seja, é uma região turística e, talvez por isso, seja o lugar escolhido por quem mora no país: é democrático, pois passam pessoas de todos os lugares do mundo; é ocidentalizado, então dá aquela sensação de “home sweet home”; é central e bem perto da área financeira, então deve ser fácil para chegar até lá. E, tirando tudo isso, é um lugar muito agradável e com uma bela de uma vista. Tanto que estávamos de passagem e paramos pra ficar um pouquinho.

Esses são só alguns dos muitos bairros de Cingapura com histórias e culturas específicas. Tem muito mais pra explorar, por exemplo visitando lugares que foram mais impactados pelas guerras das quais o país participou ou por grupos que, de alguma forma, deixam sua marca e suas tradições como legado para quem vem depois. Então, se for para lá, aceite essa dica: vá explorar e descobrir, a pé.

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Rapha Rotta
Sócio-fundador da Plot, namorado da Manu, libriano indeciso e a cada dia mais asfaltofóbico. É apaixonado pelo mundo desde que consegue se lembrar e não consegue se sentir tranquilo sem saber quando será a próxima viagem.

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