san-blas

Às vezes eu não queria compartilhar San Blás com mais ninguém

Texto de Maria Fernanda Pugliesi

A nossa ideia inicial era de viajar para Jamaica e Cuba, mas descobrimos que não existe voo direto de um país para o outro. O Panamá é o país de conexão da América Central. Ninguém fala muito a respeito do país e dada essa “falta de informação”, resolvemos pesquisar um pouco mais. Entre blogs de viagem, vídeos no youtube e guias de viagem vimos uma história incrível de uma mochileira que dormiu em uma tribo indígena localizada em um arquipélago chamado San Blas. Ela contava que comia o que pescava, dormia em cabanas na tribo, sem energia elétrica, respirando a cultura local. Foi com essa história inspiradora que fechamos nossa ida ao Panamá.

Saímos da Cidade do Panamá e viajamos de van durante quatro horas, mais ou menos, até chegar a um pequeno porto para zarpar num barquinho. A partir de lá um representante da tribo Kuna Yala tornou-se nosso guia oficial.

O guia Kuna e sua nova tripulação, a caminho do paraíso | Foto: Algum desconhecido que estava no porto
O guia Kuna e sua nova tripulação, a caminho do paraíso | Foto: Algum desconhecido que estava no porto

O arquipélago, banhado pelo mar caribenho, é composto por cerca de 360 ilhas, mas apenas 35 habitadas pela tribo indígena. Eles mantêm uma ilha principal onde chegam alguns mantimentos, escola para as crianças e outros itens de necessidades básicas.

Fomos primeiro a ilhota que dormiríamos, Isla Aguja, para deixar nossas coisas e passamos o resto do dia na Islas Perro e Pelicano. Cada uma por incrível que pareça totalmente diferente da outra. A água cristalina, com tons infinitos de azul, o brilho do sol no mar deixava o verde dos coqueiros mais verde, a areia mais branca e a paisagem completamente desconcertante.

Isla Pelicano, onde passamos parte do dia | Foto: Marcela Branco
Isla Pelicano, onde passamos parte do dia | Foto: Marcela Branco

Voltamos ao final do dia à ilha que iríamos dormir e enquanto esperávamos o jantar nos despedidos da luz do dia com um pôr do sol de tirar o fôlego. Para a nossa agradável surpresa, um indiozinho se aproximou de nós, curioso pelas nossas câmeras fotográficas, sentou e nos ensinou que não precisa falar a mesma língua para se comunicar. Foi assim, entre mímicas, conexão e troca de atenção e carinho que vimos o sol encontrar o mar e sentir o mundo girar. Foi realmente muito especial.

Nosso pequeno amigo Kuna | Foto: Marcela Branco
Nosso pequeno amigo Kuna | Foto: Marcela Branco
Pôr-do-sol visto da Isla Aguja, nosso refúgio para a noite | Foto: Marcela Branco
Pôr-do-sol visto da Isla Aguja, nosso refúgio para a noite | Foto: Marcela Branco

Depois de um dia tão intenso emocionalmente, com tanta troca com a natureza e junto a um povo símbolo da legitimidade e resistência, tivemos uma refeição típica dos Kunas: peixe fresco, salada e banana no aspecto de uma mandioca.

Sem luz elétrica, me sentia como se estivesse no meio do universo com tantas estrelas. Voltava à realidade quando ouvia a quebra das ondas, ali, a 5 metros dos meus pés.

Anoitecer na Isla Aguja | Foto: Marcela Branco
Anoitecer na Isla Aguja | Foto: Marcela Branco

Sentada com os meus três melhores amigos, me senti a pessoa mais abençoada do planeta. Ficamos horas conversando e degustando len-ta-men-te aquele momento tão único. É até difícil de explicar como o movimento do céu e a brisa do vento fazia tanto sentido. Tenho certeza, que ali, naquela roda de amigos, morada dos melhores sentimentos, vivi um dos dias mais felizes da minha vida.

Dormimos na nossa cabana com telhado de palha ao barulho do mar e acordamos com os feixes de sol entre os bambus.

Vista ao acordar | Foto: Marcela Branco
Vista ao acordar | Foto: Marcela Branco

Na despedida, batemos um papo delicioso com o líder da ilha e aprendemos uma palavra em Kuna Yala que resumiu nossa estada: Nuwedi – significa obrigado e é usado para exaltar coisas belas.

Se valeu a pena?

Nuwedi.

 

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