A mágica Tonsai Beach

Como o Rapha explicou aqui, chegamos a Tonsai meio por acaso. Então, ao chegar lá, a gente não tinha certeza de quanto tempo passaria na vila. Se gostássemos, podíamos passar os 7 dias planejados. Se não gostássemos, poderíamos dormir apenas 2 noites, o suficiente para conhecer e replanejar o roteiro da viagem.

Também contamos que chegar lá foi o maior perrengue com o qual não estávamos contando. Depois de um dia inteiro de viagem, chegamos na vila ao final do dia, bem no meio do que se chama “mosquito time” – período que vai das 17h às 19h em que, com incrível pontualidade, os mosquitos passam por lá para sugar um pouco do sangue e bom humor dos que ali habitam. Nesse período, muitos lugares  fecham para que os trabalhadores possam se proteger dos mosquitos assassinos. Como não tínhamos reservado nenhum lugar para ficar, tivemos que esperar mais de 1h por lá, sendo devorados pelos mosquitos e loucos por um banho, para poder iniciar o processo de negociação de hospedagem, apenas às 19h.

Com tudo isso jogando contra Tonsai logo de cara, poderia-se imaginar que seria difícil optarmos seguir o plano e ficar 7 dias na praia. E é aí que podemos começar a fazer entender o quanto o lugar é encantador: realmente não ficamos os 7 dias planejados. Ficamos 12. Cortamos dias dos próximos destinos pra estender nossa estada por lá. Porque?

Numa resposta direta e simples, por causa das pessoas. Acontece que Tonsai não é um lugar como os outros pelos quais passamos aqui na Tailândia: apesar de ser a terra dos sorrisos, e isso é verdade, a Tailândia também é a terra do turismo desenfreado. E isso tem um lado negativo que nos incomoda demais: a exploração. Apesar de serem sempre sorridentes, pelos lugares que passamos experienciamos muito tailandês querendo se aproveitar de nós, praticar scams, cobrar mais caro por sermos de outro lugar ou nos enganar de alguma forma; além disso, nos deparamos com um número bem inflado de turistas igualmente aproveitadores, que não têm respeito com as pessoas e a cultura do local, com outros turistas, com o ambiente à sua volta.

Já em Tonsai, os locais eram realmente muito sorridentes, mas não tentavam nos enganar nem fazer a gente comprar esse ou aquele item – eles apenas sorriam com sinceridade e perguntavam, no meio da rua, se estávamos bem, como tinha sido o dia, ou para desejar bom dia, boa tarde, boa noite. E como dita a boa regra antropológia de que o meio faz o homem, isso também acontecia com os turistas, que eram sempre simpáticos, trocavam oi no meio da rua e buscavam sempre se ajudar, além de não serem “depredatórios”, digamos assim.

Imediatamente nos sentimos bem naquela atmosfera, tranquilos e confortáveis. Nos sentimos bem-vindos e bem quistos por onde passávamos. Rapidamente criamos pequenas amizades aqui e ali e, por isso, resolvemos ficar ficar e ir ficando.

“Tá bom, Manoela, legal. Mas e aí, o que rola em Tonsai?”

Bom, por ser pouco desenvolvida, não rola muito. Mas o pouco que rola é estrutura suficiente pra quem gosta de ter algumas conveniências à mão, mesmo que em um lugar um pouco mais remoto.

Um dos tantos escaladores de Tonsai | Foto: Rapha Rotta
Um dos tantos escaladores de Tonsai | Foto: Rapha Rotta

Tonsai é uma praia pequena, entre Railay (a praia dos resorts) e Ao Nang (uma praia/vila mais desenvolvida e “hub” para diversos lugares na região). Envolvida por diversas pedras enormes, seu principal atrativo – ou sua maior fama – é a prática da escalada. Por isso, é bem comum ver por lá grupos de pessoas com diversas cordas e aparatos de escalada, além de homenzinhos em cima das montanhas durante todo o dia, além de uma escola (no Basecamp Tonsai) para quem quer começar a se aventurar no esporte. A “orla” da praia não tem muita coisa, pois um resort que está sendo construído nela tomou toda essa área para si (mais sobre isso num próximo post). Tem um bar bem legal e espaçoso em uma ponta da praia com uma lojinha de conveniência e uma agência de turismo ao lado e, na outra, o “ponto de barco” com outra conveniência.

A pacata orla de Tonsai | Foto: Manu Pontual
A pacata orla de Tonsai | Foto: Manu Pontual

A vila mesmo fica alguns metros pra dentro e é composta de uma rua de terra com alguns restaurantes, vários bares e pousadas, além de três ou quatro lojas de conveniência e duas agências de viagem.

A vila de Tonsai | Foto: Manu Pontual
A vila de Tonsai | Foto: Manu Pontual

Os bares tocam reggae e têm um clima super relaxado e tranquilo, com bastante espaço e ambientes para ficar jogando conversa fora ao ar livre. Em alguns deles há pequenas baladinhas que vão até mais tarde e artistas fazendo acrobacias e números com bastões de fogo e coisas do tipo. A vila oferece uma noite bem gostosa e tranquila. Vale dizer que a maconha por lá é “legalizada”, mas nada ofensivo de qualquer forma ou depreciativo.

Os restaurantes são todos uma graça, em madeira e bem estilosos, com um clima tranquilo. Por isso, há diversas opções de comida. Os restaurantes funcionam até as 22h, alguns vão até um pouco mais tarde, mas depois das 23h fica difícil achar algum lugar pra comer. Um dia ficamos trabalhando até tarde e tivemos que nos contentar com uma panqueca de Nutella (nada mal, também) e umas Ruffles como jantar. Aliás, no tópico alimentação tínhamos tantas opções que o Rapha até está montando um post sobre elas.

As hospedagens, em sua maioria, são bangalôs bem simples, de madeira ou bambu. Como há diversas opções de hospedagem, vale chegar lá e dar uma olhada ao vivo, pois nem todos têm ventilador ou uma descarga propriamente dita (eles têm um sistema de “descarga” por meio de baldinho, como aprendemos a fazer na crise hídrica, e nem todo mundo pode se dar bem com isso) e as estruturas mudam bastante no geral. Os preços dos bangalôs comuns variam de 350 a 600 baht, mas há inclusive 2 resorts simples, e um deles tem até piscina, por 1500 baht o quarto.

Nosso pequeno e aconchegante bangalô | Foto: Rapha Rotta
Nosso pequeno e aconchegante bangalô | Foto: Rapha Rotta

As lojinhas de conveniência também são simples, mas tendem a oferecer tudo que se precisa: cosméticos e itens de higiene, alguns apetrechos de praia, snacks e bebidas, além de cigarros, pilhas e tal. Mas, como é de se imaginar por só ser possível chegar de barco por lá, é tudo consideravelmente mais caro do que no “continente”, então vale à pena se prevenir dos itens que serão necessários pra estadia. A ida ao continente, porém, está a apenas 100 baht e 20 minutos de barco, então dá pra ficar tranquilo.

De Tonsai dá ainda pra fazer alguns passeios de barco por ilhas próximas e é possível chegar em Railay West por uma pequena trilha de uns 15 minutos (necessário se você precisar de caixa eletrônico, que não existe em Tonsai) e Railay East está a alguns minutos mais à frente – é lá que está a Princess Cave, famosa pelas estátuas de membros masculinos.

Vista da trilha de Railay West | Foto: Manu Pontual
Vista da trilha de Railay West | Foto: Manu Pontual

A fauna de Tonsai também é algo especial – é verdade que vimos muitas coisas comuns, como baratas, formigas, mosquitos e lagartixas, mas também fez parte da nossa rotina encontrar com inúmeros lagartos, macacos lindos e inofensivos e esquilinhos passeantes.

Um dos tantos macaquinhos que víamos pela vila | Foto: Rapha Rotta
Um dos tantos macaquinhos que víamos pela vila | Foto: Rapha Rotta

Ficamos hospedados no Green Resort (apesar do nome, não é um resort) num bangalô muito aconchegante e simples, com uma varandinha da qual gostamos muito. Como muitos lugares na praia, nosso bangalô tinha energia elétrica apenas das 17h às 7h, mas era suficiente para tudo o que precisávamos. E, importante dizer, encontra-se wifi em restaurantes e bares, e do lado do Green Resort tem uma massagem incrível que lembra uma sessão de tortura, mas que cumpre perfeitamente seu papel de relaxar depois que a tortura acaba.

Vista da nossa casinha, com os outros bangalôs do hotel | Foto: Rapha Rotta
Vista da nossa casinha, com os outros bangalôs do hotel | Foto: Rapha Rotta
Manu Pontual
Aquariana de corpo e alma, Manu é apaixonada por viagens. Fundou a Plot junto com o Rapha, e agora vive viajando - seja de verdade, fazendo roteiros para os nossos clientes, ou sonhando com os próximos destinos.

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